Administração do tempo - Parte 3 - Definição de Atividades




Definição das atividades

Priorize as atividades que produzem maior resultado. A “Regra de Pareto” diz que 20% do que fazemos produzem 80% dos resultados, enquanto os outros 80% produzem 20% de resultados. Realize os 20% e delegue o restante.

Até onde detalhar a lista de atividades? Quanto mais detalhada, maior a precisão da estimativa de tempo que cada atividade consome e maior o controle sobre cada uma das ações. Mas, também aumenta o trabalho e o tempo para o planejamento e controle do grande número de pequenas atividades. Então, como definir a relação de atividades a serem feitas?
Em 2001, o PMI[1] ([1] Project Management Institute (PMI), referência mundial em gerenciamento de projetos, com sede nos EUA e que visa fomentar as melhores práticas na área) lançou o practice “Standard for work breakdown structure”, no qual alguns aspectos e recomendações referentes ao nível de detalhamento das atividades de um projeto são tratados. Simplificadamente, estes são alguns dos tópicos:

- deve ser suficiente para se fazer a estimativa de duração, trabalho e custo da atividade;
- deve ser suficiente para se definir as interdependências entre as atividades;
- deve ser suficiente para se fazer a alocação da atividade para um recurso;

Exemplo de Atividade: Construir 10 m2 de alvenaria.

 “Você pode escolher ter mais tempo, sabendo decidir quais atividades executar, quais recusar e quais delegar. Você pode escolher ter mais vida, se optar por fazer coisas importantes como aproveitar seus relacionamentos, praticar esportes e se dedicar a você”.

Sequenciamento de atividades

É preciso construir uma parede antes de poder pintá-la. Portanto, após ter definido a lista de atividades a ser feita, é preciso estabelecer as prioridades para cada uma. O processo de seqüenciamento permite discriminar as atividades por ordem de importância e identificar os diversos relacionamentos lógicos entre elas, em função das relações de precedência adequadas. Isto ajuda na definição dos recursos necessários para a realização de cada atividade podendo, após esta análise, surgir outras.

A primeira coisa que se deve levar em conta é a data de entrega de uma tarefa. Devemos programar cada uma levando em consideração folgas para imprevistos e termos a chance de rever o trabalho antes de entregar ou ainda entregar antes da data final.

Faça as seguintes perguntas: Quais são as inter-relações entre as atividades? Quais são os marcos ou datas de entrega? O que posso adiar ou adiantar e quanto? Priorize os itens por uma ordem numérica (1,2,3,4,...) e execute suas tarefas do dia nessa ordem.



“Imagine sua festa de 80 anos. Quais projetos você gostaria de ter realizado ao longo de todos esses anos? Que pessoas desejaria ver a seu lado? De quais feitos se orgulharia de contar aos filhos e netos? Agora reflita e responda com sinceridade: as atividades atuais que tomam seu tempo estão contribuindo para que você atinja esses objetivos e sonhos?”.

Estimativa de recursos

A estimativa de recursos inclui não só a determinação dos mesmos, mas também as quantidades que serão usadas de cada um e quando cada um estará disponível para realizar todo o conjunto de atividades.

Os recursos se enquadram em três grandes grupos: Pessoas, Equipamentos e Materiais. Pessoas e equipamentos são recursos de trabalho, influenciando na duração das atividades. Já os recursos materiais são consumidos no processo e precisam ser em quantidade suficiente para a conclusão da atividade. Portanto, recurso é tudo que serve para a execução das atividades ou que é consumido por elas.

Exemplo

Atividade: Construir 10 m2 de alvenaria.
Produtividade e consumo para 1 m2:          
- Pedreiro: 1h de trabalho;
- Servente: 1h de trabalho;                                           
- Argamassa: 0,012 m3;                                                                           
- Tijolos: 25 unidades;

“Se estamos realizando os projetos de Deus, Ele nos concede recursos ilimitados”.

Estimativa de duração

Estimar a duração é a parte mais difícil e complexa porque precisamos obter avaliações quantitativas do número provável de períodos de trabalho necessários para a conclusão de uma atividade. As durações variam por vários motivos como a variação do nível de conhecimento do profissional, interrupções no expediente, eventos inesperados, erros e mal entendidos. Então como preparar uma lista de atividades com estimativas?

- Conhecer o passado: saber como atividades iguais ou similares foram feitas no passado e que tipo de desafio foi encontrado. Utilizar dados históricos e bancos de dados que possuam informações como duração, esforço, tipos de recursos utilizados, seqüenciamento sugerido, etc.

- Conhecer o ambiente do projeto: identificar fatores ambientais e culturais que regulam a organização, burocracia, políticas organizacionais como a quantidade máxima de horas trabalhadas por período, uso de recursos, folgas e intervalos, fusos horários, problemas de tráfego, etc.

- Conhecer as premissas e restrições: saber os fatores que são considerados verdadeiros e reais, como no exemplo “um pintor poderá pintar a sala de sua casa em oito horas desde que alguém fique responsável pela colocação da proteção nos móveis”. O que pode restringir ou limitar a execução como “o local onde será realizada a atividade não comporta o número de pessoas programadas simultaneamente”, ou “só poderá ser gasto R$ 100,00 nesta atividade”.

- Conhecer os riscos: ameaças ou oportunidades que poderão ocorrer durante a execução da atividade. Situações onde a atividade já é bem conhecida ou é totalmente nova, Lei de Murphy, etc.

- Conhecer a disponibilidade, capacidade e características do recurso: ter acesso a registros de cada profissional envolvido, incluindo uma descrição do cargo, habilidade e nível de conhecimento, experiência em projetos anteriores, produtividade. Recursos mais experientes realizam atividades com maior rapidez e menos retrabalho. Quem deve fazer a estimativa é quem faz o trabalho.

Assim, considerando o exemplo anterior e supondo o dia com 8h de trabalho, podemos fazer esta atividade em 1 dia e mais duas horas do dia seguinte, se na prática usarmos realmente estas quantidades de recursos.

“Lembre-se: Você não pode dar mais horas ao dia, mas pode dar mais vida às horas!”.

Controle

Na verdade não controlamos a variável tempo, mas sim os fatores de produção e seu comportamento em termos de oferta e demanda. Devemos levantar as dificuldades que foram enfrentadas e documentá-las. Precisamos descrever o status da atividade, problemas e questões a serem resolvidos, planos de mudança e ações corretivas como: replanejamento e reprogramação das tarefas, realocação de recursos, nova designação de responsabilidade e autoridade, redução das durações com base nos custos diretos de aceleração. Use as perguntas: O quê? Quem? Quando? Por quê? Onde? Como? e Quanto? para ajudar a transformar a estratégia em tática, ou seja, o quê fazer em como fazer.
Resumo
Defina atividades que podem ser medidas em termos de tempo e custo. Pense nas relações que ela tem com outras atividades, que materiais, equipamentos ou mão de obra são necessários para que seja executada e que importância ela tem quando comparada às outras.

“Temos que desempenhar inúmeros papéis durante a vida: filho, irmão, amigo, profissional, pai, marido, líder. Aprenda a administrar o tempo de tal modo que você possa ser tudo ao mesmo tempo e fazer bem feito!”


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